everyone.we.know
Acabo de voltar do cinema em êxtase, porque acabo de eleger o melhor filme que assisti no último ano. Definitivamente. E deve estar na lista dos 10 mais.
'Eu, você e todo mundo', um título que não poderia ser mais preciso, é o primeiro filme da video-artista Miranda July. Ela é produtora, diretora, roteirista e protagonista. Para quem tem trabalhos expostos no MoMA e no Guggenheim, não parece muita coisa que ela tenha ganho um prêmio especial no Festival de Sundance e a Camera d'Or no Festival de Cannes. Quase nada. Ela é uma nerd esquisitinha com voz semi-infantil, que todo mundo quer levar para casa. Uma 'freak-Amelie Poulain' que deu certo.
No filme ela interpreta, vejam só, uma video-artista meio freak, meio Amelie Poulain! Mas imaginar que essa personagem semi-patética é um espelho da grande artista por traz de todo o filme faz com que a distância entre a criadora e a criatura grite. Muito bem: agora juntemos a Amelie com Short Cuts, com Kids [suavizado, claro], mais uma investigação sociológica atualizadíssima e um retrato cruel mas cheio da ternura da realidade. Estamos chegando lá.
O tema central do filme é medo moderno das relações inter-pessoais, a aversão que todos nós criamos em abrir mão de nossas máscaras sociais para se estabelecer algum tipo de contato humano. Em todos os graus: entre pessoas desconhecidas, entre possíveis namorados, pais e filhos, vizinhos, melhores amigas, etc. Engraçado como ela ironicamente insere um casamento inter-racial nessa salada e talvez esse seja o único ponto polêmico que ela deixa escapar de qualquer crítica e o trata como se falasse de um pão com manteiga.
Nessa guerra introspectiva, as personagens se fazem valer de toda e qualquer ferramenta possível para escapar do tet-a-tet. Um põe fogo na própria mão, outro se esconde atrás de bits. Uma criança semi-analfabeta estabelece um contato pornográfico via CTRL+C CTRL+V. A pedofilia indizível é colocada em outdoor, desenhos viram pontos e vírgulas, uma placa marca o começo e o fim de um relacionamento. Até os românticos idosos destroem uma paixão avassaladora para não ter que viver o fim dela.
A direção de arte está longe de um Jean Pierre Jeunet, alguns vícios da arte digital aparecem aqui e ali, mas a ingenuidade estilística convence. A narrativa é bem fluida, as personagens densas, as interpretações são inacreditáveis - desde a diretora até o menino de no máximo 5 anos - o fantástico Brandon Ratcliff. Para quem gosta de cinema cabeça, esse filme é essencial. Para quem detesta cinema-cabeça, e tudo que eu disse até agora é bla-bla-bla, eu resumo:
O filme é suave, divertido, engraçado, surpreendente e lindo, sem deixar de ser potente, crítico, inteligente e magnífico. Tem que ver e ponto.
'Eu, você e todo mundo', um título que não poderia ser mais preciso, é o primeiro filme da video-artista Miranda July. Ela é produtora, diretora, roteirista e protagonista. Para quem tem trabalhos expostos no MoMA e no Guggenheim, não parece muita coisa que ela tenha ganho um prêmio especial no Festival de Sundance e a Camera d'Or no Festival de Cannes. Quase nada. Ela é uma nerd esquisitinha com voz semi-infantil, que todo mundo quer levar para casa. Uma 'freak-Amelie Poulain' que deu certo.
No filme ela interpreta, vejam só, uma video-artista meio freak, meio Amelie Poulain! Mas imaginar que essa personagem semi-patética é um espelho da grande artista por traz de todo o filme faz com que a distância entre a criadora e a criatura grite. Muito bem: agora juntemos a Amelie com Short Cuts, com Kids [suavizado, claro], mais uma investigação sociológica atualizadíssima e um retrato cruel mas cheio da ternura da realidade. Estamos chegando lá.
O tema central do filme é medo moderno das relações inter-pessoais, a aversão que todos nós criamos em abrir mão de nossas máscaras sociais para se estabelecer algum tipo de contato humano. Em todos os graus: entre pessoas desconhecidas, entre possíveis namorados, pais e filhos, vizinhos, melhores amigas, etc. Engraçado como ela ironicamente insere um casamento inter-racial nessa salada e talvez esse seja o único ponto polêmico que ela deixa escapar de qualquer crítica e o trata como se falasse de um pão com manteiga.
Nessa guerra introspectiva, as personagens se fazem valer de toda e qualquer ferramenta possível para escapar do tet-a-tet. Um põe fogo na própria mão, outro se esconde atrás de bits. Uma criança semi-analfabeta estabelece um contato pornográfico via CTRL+C CTRL+V. A pedofilia indizível é colocada em outdoor, desenhos viram pontos e vírgulas, uma placa marca o começo e o fim de um relacionamento. Até os românticos idosos destroem uma paixão avassaladora para não ter que viver o fim dela.
A direção de arte está longe de um Jean Pierre Jeunet, alguns vícios da arte digital aparecem aqui e ali, mas a ingenuidade estilística convence. A narrativa é bem fluida, as personagens densas, as interpretações são inacreditáveis - desde a diretora até o menino de no máximo 5 anos - o fantástico Brandon Ratcliff. Para quem gosta de cinema cabeça, esse filme é essencial. Para quem detesta cinema-cabeça, e tudo que eu disse até agora é bla-bla-bla, eu resumo:
O filme é suave, divertido, engraçado, surpreendente e lindo, sem deixar de ser potente, crítico, inteligente e magnífico. Tem que ver e ponto.
4 Comments:
Esse post foi pra mim... é o meu momento praticamente :S
E o Metido a Besta fica no Itanhangá ué, aquele bairro que tem campo de golfe entre a Barra e o alto da Boavista (não, não é são conrado)
Estou numa fase meio "povão", os últimos filmes que vi no cinema foram: A Era do Gelo 2, O Código da Vinci, X-Men 3, Missão Impossível 3... essas coisas de filas gigantes.... hehe
Mas eu tambem! Sorte que a vida oscila. Olha a lista dos ultimos filmes que eu vi no cinema:
- A Era do Gelo 2
- Missao Impossivel 3
- O Codigo Da Vinci
- X Men 3
- A Profecia
- Cache
- 5x2
- Eu, Voce e todos nos
to melhorando, to melhorando....
Esse daí e o 5x2 é urgente ver. Até pq adoro o trabalho do François Ozon, diretor desse último..
..pena ter q depenser do cinema bisonho daqui.
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